domingo, 16 de agosto de 2009


Não há dia mais estranho que o domingo.
As ruas cessam, o vento adormece, tudo parece estar mais calmo. As pessoas recolhem-se em suas casas, tendo em vista uma mesa farta de almoço servido tarde. Os filmes que passam na tv, são os mais 'besteiróis' possíveis, e a voz do Faustão chega para te provar que, realmente, o tédio veio te dominar.
Quando somos crianças, ou pré-adolescentes, o domingo chegando faz uma alusão às chamas do inferno: Não há nada pior do que passar um dia à toa com tanta vida lá fora. À medida que crescemos, passamos a ver as coisas com mais seriedade, e juramos que essa atitude -involuntária, diga-se de passagem- é a mais correta. Pura utopia, claro. A tarde sem fazer nada traz o sentimento de culpa, pois aquele tempo poderia ser preenchido com algo proveitoso o bastante. A soneca da tarde nos faz lembrar que à noite o sono não virá na hora certa, resultando assim numa manhã abusada por excesso de sono.
A ansiedade faz com que tenhamos a capacidade de 'maquinar' uma semana em apenas uma tarde de domingo.
Chato, verdade. Mas, fazer o que? O silêncio orbitante lá fora insiste em nos calar, e nos mostrar que somos tão escravos do tempo, que um dia sem as consecutivas olhadas para o relógio de pulso, nos veste como uma calça de tamanho três vezes maior que o nosso. E não, não conseguimos encontrar um cinto.

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